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A Casa que Respirava

T
Terror e Horror

2 views • Aug 05, 2026

Description

Em Kuala Lumpur, um narrador descobre que uma casa aparentemente comum se torna sinistra à noite: sombras surgem, portas se movem sozinhas e a própria casa parece respirar. Mensagens misteriosas alertam sobre uma presença que se aproxima, até que ele percebe que a casa está viva e o observa.


Em Kuala Lumpur, eu aprendi que existem casas que parecem normais de dia e erradas depois que escurece. A velha casa da rua quieta era assim. No fim da tarde, tudo parecia comum. Crianças passavam de bicicleta, vizinhos conversavam no portão, o vento mexia nas árvores.

Mas, quando a noite caía, a casa mudava de humor. E não era um bom sinal.

No começo, eram detalhes pequenos. O corredor ficava pesado. As portas batiam com força demais. E eu acordava com a sensação absurda de ter alguém parado do lado de fora do quarto, respirando no mesmo ritmo que eu.

A primeira noite estranha pareceu só silêncio. Silêncio demais. Depois da meia-noite, ouvi um suspiro vindo da parede da sala. Pensei que fosse cansaço. Só que veio de novo. Mais claro. Um sopro longo, como se a casa estivesse inspirando com cuidado.

Fui até o espelho da entrada com a lanterna do celular e gelei. No reflexo, a casa parecia menor, mais apertada. E atrás de mim havia uma segunda sombra, alta e fina, com a cabeça inclinada. Quando virei, não tinha ninguém. Quando olhei de novo, a sombra ainda estava lá. Só que agora parecia sorrir.

Tentei dormir cedo, mantendo a luz do corredor acesa. Não adiantou. De madrugada, acordei com um som de unhas arrastando na parede, devagar, vindo da sala até o corredor.

Abri a porta e encontrei a porta da frente fechada. Só que a maçaneta se movia sozinha, como se alguém do lado de fora testasse a entrada sem pressa.

Então a casa respirou.

Não foi imaginação. A madeira do batente pareceu expandir e contrair. Como um peito. Como uma pessoa dormindo. Um arrepio subiu pela minha nuca. Eu olhei para o espelho da entrada e quase perdi a força nas pernas.

No reflexo, a sombra estava sentada no sofá vazio. Ela inclinou a cabeça e ergueu a mão, como se estivesse me chamando.

Meu celular vibrou. Uma mensagem de número desconhecido apareceu. Não acenda a cozinha. Eu nem tinha tocado no interruptor, mas a luz da cozinha piscou. Duas vezes.

Na terceira, acendeu sozinha. E foi aí que eu vi as marcas no chão. Alongadas. Escuras. Como passos molhados que paravam diante da pia. A torneira pingava. Cada gota parecia uma palavra que eu não conseguia entender.

No vidro da janela, o reflexo da sala mostrava a porta dos fundos aberta. Mas, quando virei para olhar de verdade, ela estava fechada.

A mensagem mudou. Ela gosta de entrar pela casa enquanto você olha para outro lugar.

Antes que eu respirasse fundo, ouvi um barulhinho no meu quarto. Pequeno. Como alguém deitando na cama com cuidado. Voltei devagar. A cama tinha um afundamento do outro lado.

O cobertor estava dobrado de um jeito que eu não fiz. E, sobre o travesseiro, havia um fio de cabelo escuro. Não era meu.

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